Pode acontecer com qualquer um, em qualquer segmento do mercado: você tem um produto sensacional, mas ele simplesmente não emplaca!
Muitas coisas podem levar a isso, como preço, concorrência, uma economia em crise ou, mais difícil de perceber, quando seu produto e seu público não estão alinhados. Uma coisa é o cliente entender o produto, outra é gostar dele, mas ele precisa “vê-lo em seu cotidiano”. Sem isso, não vai para frente.
Aconteceu comigo há uns 15 anos. Na época, eu dirigia a unidade de conteúdo didático digital de uma das maiores editoras do país. Depois de um ano e meio de trabalho sério de cerca de 50 pessoas, tínhamos um belíssimo produto, totalmente interativo e com todo o conteúdo de Matemática do Ensino Fundamental alinhado com os Parâmetros Curriculares Nacionais, além de preciosas ferramentas de diagnóstico de aprendizagem. Era uma oferta à frente do seu tempo.
Talvez à frente demais! Os professores reconheciam o valor do produto, entendiam sua dinâmica, gostavam dele e achavam o preço razoável. Mas não o adotavam como material complementar ao livro.
Quando perguntava o motivo, a resposta era sempre algo como: “adorei o seu produto, mas eu não sei dar a minha aula com ele!”
Mudamos então a estratégia: ao invés de começar tentando vender o produto, nossa equipe pedagógica visitava as escolas para entender como cada professor ministrava suas aulas, e como o produto poderia ajudá-lo na sua dinâmica, respeitando sua individualidade. E aí as vendas começaram a acontecer!
O cliente sempre precisa ser ouvido! Por mais bem intencionado e preparado que você seja, apenas ele sabe do que precisa. Executivos que insistem em dizer que sabem o que é o melhor para seu público correm o risco de ficar fora do mercado.
Quando se pensa em educação, cada sala de aula é um mundo único. O professor transforma o cotidiano de seus alunos a partir de sua experiência. É por isso que ele deve participar da escolha do material didático, para traçar suas estratégias de ensino.
O governo do Estado de São Paulo está fazendo tudo errado nisso. Sem consultar os professores, a Secretaria de Educação decidiu abandonar o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático), que permite que os professores escolham quais livros adotarão para suas turmas, que os receberão gratuitamente. Em seu lugar, está impondo slides criados por técnicos da Secretaria.
Isso não apenas fere a liberdade de escolha de cada docente, como o desestimula ainda mais em uma carreira açoitada pela sociedade. Iniciativas como essa transformam educadores em “passadores de conteúdo”, engessados em um material inadequado para sua realidade.
Esse desalinhamento do produto com seu público é um desserviço para professores, alunos e toda a sociedade, que receberá estudantes menos preparados para um mundo que exige cada vez mais habilidades complexas. Ainda há tempo de reverter essa decisão, antes que seus efeitos midiáticos “contaminem” outras redes de ensino.
Para entender melhor o que está acontecendo nas escolas paulistas, convido você a assistir ao vídeo da minha Pílula de Cultura Digital dessa semana.
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