Influencer Vitor diCastro fala sobre aceitação da homossexualidade na adolescência

Em exclusiva à Atrevida, Youtuber relembra sua jornada de descobrimento!

Amanda Oestreich e Mariana Millan Publicado quarta 16 setembro, 2020

Em exclusiva à Atrevida, Youtuber relembra sua jornada de descobrimento!
Vitor diCastro - Instagram

Para o influencer brasileiro Vitor diCastro, ser LGBT nunca foi fácil! Em entrevista exclusiva para à Atrevida, o Youtuber contou um pouco sobre sua própria trajetória de entendimento e aceitação como homem homossexual.

Relembrando seus 19 anos, Vitor começou comentando sobre o momento em que entendeu que não era heterossexual. “Eu já fazia faculdade. Então, a minha vida meio que caminhou. Foi um momento muito propício. Eu já pagava as minhas próprias contas, sabe? Então, parece que foi assim ‘bom, agora que eu não devo nada para ninguém, quem sou eu?’”, compartilhou o influenciador.

Antes de se assumir, ainda em seu tempo de escola, o Youtuber recorda ter sofrido bullying por não “corresponder a imagem do machão” que esperam dos homens, mas relatou que só identificou os ataques como homofobia depois de se descobrir homossexual. “Na época, era só um bando de menino que me enchia o saco (...) por eu ser mais afeminado”, contou Vitor. “Eu ouvia esses comentários na minha cara e mesmo essas pessoas que não falavam para mim, falavam pelas minhas costas”, lamentou o influenciador.

Entretanto, mesmo passando o tempo, os comentários preconceituosos ainda persistem. Agora, eles são feitos na rua. Mesmo frequentando lugares onde sente que não vai sofrer comentários maldosos, eles acontecem e o Youtuber diz que teme reagir. “Eu prefiro prezar pelos meus dentes”, brincou Vitor. Além disso, a homofobia também aparece na internet. Nesse caso, o influencer toma atitude “Ah, se me encher o saco (...) eu não excluo o comentário, eu deixo, eu respondo a pessoa, eu printo, eu posto, eu exponho”, revelou Vitor.

A pressão para “não ser homossexual” existe o tempo inteiro, segundo o influencer. Porém, o combate é interno e não só com a sociedade. “É uma luta eterna para que a gente não se pressione a isso. A sociedade pode pressionar a vontade. Quem quiser pressionar, que pressione, que lute!” , exclamou o influenciador.

Durante sua jornada de descobrimento e aceitação, Vitor revelou que não teve a oportunidade de conversar sobre sua sexualidade com seus pais. “Contaram por mim. Então, eu tive só que lidar com o resultado disso”. Os pais do Youtuber de 31 anos eram conservadores e muito religiosos. O momento para eles foi de “crise”. Os pais precisaram entender que o problema não era a homossxualidade do filho, mas sim seus pensamentos.

Quando questionado sobre como os outros pais precisam levar “A” conversa, Vitor foi rápido em dizer que é um dever dos pais começarem o papo. Para ele, a conversa tem que ser tratada de maneira natural e tranquila, para não ser traumática para o jovem, que ainda está se descobrindo. “O que eu sinto é que muitos pais querem puxar esse assunto, querem que o filho chegue, mas não estão preparados para o que o filho vai falar, a não ser que o filho fale “mãe, eu sou cis, héterossexual”, exclamou o Youtuber.

Segundo o influenciador, a conversa, antes de tudo, precisa transparecer respeito e empatia. “Se você não chega para uma pessoa no seu trabalho de qualquer maneira, você não chega no seu filho e fala de qualquer maneira porque seu filho não é obrigado a lidar com esse tipo de coisa”, argumentou Vitor.

Já nas escolas, os papos sobre sexualidade precisam acontecer urgentemente. “Enquanto a gente ficar fugindo desse assunto, enquanto a gente não falar sobre diversidade, não falar sobre sexualidade, enquanto a gente não tiver uma educação sexual bem feita, a gente vai continuar perpetuando problemas que a gente tem e que são problemões", afirmou o influenciador digital. “E se a gente não discutir isso (...) as pessoas crescem tendo sérios problemas com relação a isso, inclusive pessoas heterossexuais”, completou.

Por fim, Vitor diCastro deixou um recado especial para quem está se descobrindo e se assumindo como LGBT+ agora:

"Não tem nada de errado se ele está se descobrindo como uma pessoa trans, uma pessoa não-binária, uma pessoa que não é heterossexual. Não tem nada de errado, isso é normal, natural, cada um tem sua sexualidade e a sua deve ser respeitada como é. (...) Essa pessoa merece e deve ser respeitada. Ela não pode aceitar menos que isso. Aceitar que alguém a trate mal, que alguém diga que ela deve mudar para ser feliz, que ela deve mudar para ser aceita. Essa pessoa tem que exigir ser respeitada em todos os lugares a partir de agora. (...) Ela precisa saber que (...) a gente tem uma sociedade que ainda desrespeita LGBTs o tempo todo. Então, saiba que você vai ter que lidar com isso, então se prepara, se fortaleça, se mantenha informado, se mantenha próximo de pessoas que também sejam lgbts, tenha referências lgbts, para que você não reproduza determinados preconceitos, para que você não se desrespeite ou desrespeite as outras pessoas”, conclui o influenciador.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Último acesso: 30 Sep 2020 - 18:06:02 (1043355).